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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Da Série Casos Verídicos 10

Será que foi ele o campeão de 2002 do Ironman Brazil? Claro que não né! 
A história começa assim...
Once upon a time...mais especificamente em maio de 2002 eu vim junto com meus amigos de Brasília , a saber: Nelson "Negão" Miranda (agora está trabalhando como salva vida no Rio Grande do Sul), Lourival "Loriva Jones" Anchieta Jr (atualmente servidor público do Estado do Ceará) e Raimundo Sabino. Alugamos uma casa perto do Hotel Jurere Beach Village. Eu era o único dos 4 que não ia competir. Na verdade eu tive uma "aposentadoria" precoce aos 22 anos. Parei de treinar pra estudar. Eu cheguei a correr na elite em Santos, mas eu não sou, nem nunca vou ser, da área da educação física, ou seja, era muito difícil conciliar os estudos (eu fazia duas faculdades e os treinos).
Pois bem, nesse ano de 2002 eu vim à Floripa de férias. Enquanto o pessoal estava no stress de fazer a prova eu estava curtindo uma semana de ócio em Jurerê.
Aluguei uma moutain bike velha com um senhor que tem uma casa na entrada de Jurerê velho para poder acompanhar a prova, mas não a prova de meus amigos. O que eu realmente queria era percorrer os 42 quilômetros com o melhor atleta de curta distância, na minha opinião, até então, chamava-se ele Spencer Smith.
O animal já tinha saído da água com míseros 45 minutos...he is fast believe me !!!
Depois de uma natação dessas Spencer fez um pedal alucinante e saiu pra correr em primeiro lugar. Eu pensei que depois de tanto esforço ele não iria fazer uma boa corrida. Que nada !!! o cara é um ET, só pode ser. Quando chegamos na subida da Igreja em Canajurê (quem já fez o Ironman sabe que eu estou falando de um quase muro de escalada, não propriamente uma subida) o Spencer Smith deu um tiro. Isso mesmo o sem noção subiu mais rápido do que estava a correr na reta !!! Parece que ele queria provar pra ele mesmo que nada poderia detê-lo aquele dia. 
Resultado final do Ironman de 2002 foi Spencer Smith seguido do Eduardo Sturla.
E o tal do Lourival? Ele era um atleta amador da categoria 20-24 anos e pelo segundo ano seguido não conseguiu completar o Ironman.
Sinceramente, não sei de onde o pessoal daquela reportagem achou o nome do Loriva Jones, mas que não foi ele o ganhador isso eu tenho certeza.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Da série casos verídicos 9

Ainda não superei o episódio do meu cachorro e lembrei de uma história de peraltice dele, com ela tem a ver com o triathlon vou dividí-la com vocês.

Certo dia eu estava com a minha irmã e o o ex-namorado (esse cara aí da foto, o Luiz Henrique) dela que vieram me visitar aqui em Floripa. Fomos ao Taiko e passamos a tarde inteira lá aproveitando. Foi num dia bacana de sol e depois ainda passamos no restaurante Restinga no bairro de Sambaqui pra comer um camarão ou um peixe, não me lembro muito bem agora. Cheguei em casa morto de cansado com a maior vontade do mundo de tomar um belo de um banho e dormir, mas não pude fazer isso. Quando eu cheguei em casa percebi que a porta da cozinha estava aberto, ou seja, que eu deveria ter esquecido de fechá-la direito e o Bartolomeu deve ter forçado ela e entrou pra dentro dos quartos. 
Quando eu abri a porta do escritório me deparei um uma cena, no mínimo, dantesca. O lazarento do meu cachorro ao me ver danou-se a balançar o rabinho e olhou todo lépido e faceiro pra minha cara...detalhe...estava com os destroços do meu óculos de sol Radar (da linha Lance Armstrong) da Oakley na boca, que eu tinha comprado na Racycles em Nova York por módicos 185 dólares, aqui no Brasil deve custar perto de 800 reais. 
Acredito que uma imagem expressa mais que mil palavras, então só posso dizer que o meu estado de raiva estava pior que o deste cara aí da esquerda na foto.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Façam o que eu digo, não façam o que eu fiz

Pois é cambada,

Estou de volta à Ilha da Magia depois de um ótimo final de semana em Garopaba.
Particularmente eu não esperava nada, mas absolutamente nada mesmo dessa prova.
Semana passada fiquei numa função desgraçada para resolver um assunto comercial e depois recebi a visita de um amigo de Brasília que passou o carnaval aqui em Floripa comigo. Pedalei só um dia, nadei duas vezes e corri umas 3. Em compensação só não festei na terça-feira de carnaval. Todos os outros dias eu fui pra farra. Essa semana também fiquei todo enrolado e treinei menos ainda.
Pensei que iria tomar muito na cabeça em Garopaba. Para piorar um pouco mais a situação eu saí na véspera da prova e comi uma moqueca de garopa e tomei duas cervejas Original.
Bom...já tinha viajado, levado as tralhas, pagado a inscrição não custava nada fazer a prova e assim a fiz.
A natação estava bem difícil com ondas muito altas. A distância para contornar a primeira bóia estava muito curta, o que significa obrigatoriamente que ou o cara larga que nem um doido e dá tudo ou  vai tomar muita porrada se ficar no bolo.
Eu larguei bem atrás do Fábio Carvalho e depois de uns 50 metros quando paramos de goufinhar e começamos a nadar formou-se um pequeno grupo atrás dele. Começou aquele bate bate e eu preferi nadar um pouco mais para o lado para para evitar a pancadaria. Enquanto os outros ficaram se esbofetendo e perdendo tempo eu fui um dos primeiros a contornar a primeira bóia e abri caminho para uma boa natação.
Saí muito bem da água bem na esteira do Roberto Lemos e creio que entre os 10 ou 15 primeiros da prova.
Nem tentei ir na roda do Bob Lemos, pois sabia que iria quebrar. Esperei então um pelotão mais condizente com a minha realidade e logo um cara de Balneário Camburiu e o Felipe Riccio apareceram e ficamos juntos até o final.
Eu tinha comentado com o pessoal que o percurso de pedal estava muito perigoso. Eram 3 retornos e 2 curvas de noventa graus por volta, num total de 6 giros pelo percurso.
Dito e feito...quando fomos entrar na transição esse cara de BC tentou me ultrapassar para entrar na frente no curral e perdeu a traseira da bike. Se esborrachou no chão bem na minha frente. Consegui contorná-lo, mas parei pra ajudá-lo, já que estava todo ferrado. Dei uma mão pra ele e partimos para a transição.
Saí para correr inteirão e fiz a minha melhor corrida dos últimos tempos.
Eu tinha ficado na décima coloção da categoria em Navegantes e esperava ir bem pior em Garopaba, mas na verdade e pra minha surpresa eu fiquei em quinto na categoria com um tempo muito rápido, acho que 1:04, e fiz uma ótima prova.
Peguei pódio e foi muito legal porque eu realmente não esperava. Estávamos sentados na loja da Mormaii, onde foi a premiação, e quando foram chamar o pessoal da 30 a 34 anos o narrador disse "Vamos chamar o quinto lugar...Thiago Pereira de Freitas". Nossa fiquei muito feliz, mas muito feliz mesmo. Subir no pódio na sede da Mormaii e sem esperar muita coisa foi bom demais.
Mas eu tenho uma máxima de que todos os meu fracassos são culpa exclusiva minha, mas minhas vitórias sempre compartilho com quem me ajudou .
Não poderia deixar de falar que não teria ido tão bem se não fosse o apoio e parceria incondicional da minha namorada, que acabou ganhando as minhas medalhas (participação e da categoria), pois sem ela não teria tido paz de espírito e tranquilidade para poder competir.
À ela eu dedico essa prova.

Curiosidade

Só tinha comentado pro Luqueta Helal da história da cerveja com moqueca de garopa na hora da chegada da prova. A premiação foi umas duas horas depois e por uma intervenção de Chico Xavier ou do Lucas Kardec (acredito piamente que foi desse segundo) o Roberto Lemos já sabia da história. Este último  me chamou pra mesa dele e perguntou "Thiago o que foi mesmo que você comeu ontem antes da prova?". Eu respondi moqueca de garopaba com cerveja, pois eu já notei na hora que ele sabia da história.
O Roberto não falou mais nada, mas até agora não me deu os parabéns pelo pódio.
Ahhhh senhor Lucas Helal !!!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Da série casos verídicos 7

Amigo sem noção

Nesse final de semana carnavalesco recebi a visita de um amigo meu de Brasília. Nossa amizade não tem absolutamente nada a ver com o triathlon, apesar dele gostar de dar umas voltas de moutain bike de vez em quando nunca fizemos nenhuma atividade esportiva séria juntas, só umas corridinhas no parque da Asa Norte em Brasília e olhe lá.
Pois bem, pensei que ele poderia me acompanhar na corrida que eu fiz num sol escaldante nesse sábado passado. Ele, claro, foi na minha bike e o objetivo principal era me acompanhar para dar apoio (água) durante o percurso.
E não é que o animal saiu pedalando que nem um doido na Beira-Mar. A criatura nem olhou pra trás e me deixou morrendo de cedo e , principalmente, de raiva. Vai ser sem noção assim lá no quinto dos infernos. O cara tinha chegado na sexta à noite, nem tinha dado tempo de conversarmos direito. Essa corrida seria uma hora bem propícia para botar o papo em dia e a anta me sai pedalando que nem um louco (detalhe ele nem sabia passar a marcha da bike).
Quando eu chego na altura do Koxixos está lá o bonitão sentandinho no deck de madeira olhando pro mar e eu doido pra tomar uma água.
Vou te falar viu...se eu fosse um objeto inanimado com certeza seria um pára-choque de doido. Só conheço cara doido, sem noção, lunático e congêneres.
Aff !!!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Da série casos verídicos 6

A história do penteador de bonecas

Pode ser que aqui em Floripa a expressão penteador de bonecas não faça muito sentido para o mundo triatlético, mas pode perguntar para qualquer brasiliense que eles vão saber na hora o significado.
Pode-se conceituar o penteador de boneca como sendo o atleta, obrigatoriamente do gênero masculino, que não é muito aguerrido nos treinos. Geralmente é meio playboyzinho, tem um equipamento de ponto, mas nunca faz força nos treinos e quase nunca se apresenta pra competir, pois sempre toma pau.
Obviamente não vou colocar aqui o nome da criatura, mas foi de um de nossos amigos dinossauros do triathlon brasiliense que se originou o termo penteador de bonecas.
Muito gente que está lendo este artigo já sabe quem é a figura. Posso dizer que o cara é um dos ícones da cidade, uma figurinha carimbada, quase um patrimônio do triathlon do cerrado.
Ele tem recorde absoluto de atropelamentos que um triatleta já sofreu na vida. Nem sei ao certo o número, mas beira uma dezena. Além de ser atropelado, já "atropelou" diversos objetos animados e inanimados e é mais fácil dizer o que essa criatura ainda abaurrou que são apenas petrolheiros (ainda bem que ele nunca morou em Santos ou Itajaí) e naves espaciais. De resto ele atropelou tudo (carroça, cone, kombi, meio fio, carro, outras bicicletas, amigos e tantas outras coisas que não dá pra escrever aqui por falta de espaço).
Esse ser iconoclástico, para piorar ainda mais a situação, tinha o péssimo hábito de só sair para passear, quando em tenra idade, com a roupa do super homem, fato esse que desagradava muito seu avô que tinha que passear com ele na rua nos finais de semana.
Nosso amigo tem uma irmã mais velha e duas sobrinhas e, quando ele cresceu e já não usava mais os trajes do super man, ele sempre levava as pequenas para brincar no parquinho (elas e as barbies delas). Todos da comunidade de triatletas sabiam que ele gostava muito de brincar com as sobrinhas dele, mas, teoricamente não com as bonecas.
Pois bem, certo dia ele estava numa roda de conversa e estava a se gabar de suas performances. O problema é que nessa mesma roda encontra-se o sem papas na língua Zé do Pedal que revoltou-se com o excesso de valorização (aka tiração de onda) que o nosso personagem principal estava bradando aos sete ventos. Ato contínuo o Zé mandou essa: "Cala a boca fulano tu sempre foste um penteador de bonecas das suas sobrinhas".
Daí em diante ele virou o penteador de boneca oficial do triathlon brasileiro e nós quase que perdemos as forças nas pernas de tanto rir.
Ah esse Zé do Pedal !!! é o melhor apelidador e contador de histórias do Brasil.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Da série casos verídicos 5

Uma das pessoas que mais me ensinou as coisas do triathlon e as da vida também foi um cara fantástico que se chama Jake do Carmo. Ele é professor de Educação Física da Universidade de Brasília e tem mestrado em fisiologia do exercício e doutorado em engenharia elétrica na área das forças aplicadas ao pedal da bike, inclusive eu fui uma das cobaias da pesquisa.
Esse cara passou por diversas das fases mais importantes da minha vida. Quando eu o conheci em agosto de 1997 na pista de corrida do colégio Elefante Branco eu tinha acabado de prestar o vestibular, mas ainda não sabia se tinha passado. Poucos dias depois recebi a noticia da aprovação e o Jake ficou muito feliz com a minha conquista. Depois disso ele realmente ajudou a me formar como homem e como atleta e viu o auge da minha carreira no ano de 2000 quando eu obtive os meus melhores resultados e também presenciou o fim da minha carreira de atleta na elite do Troféu Brasil e com a minha única participação em um Ironman, que foi aqui em Floripa no ano de 2001 com apenas 22 anos de idade.
O que lembro mais do Jake eram as tiradas geniais que ele dava de vez em quando, fazendo um resumo de temas muito complexos em poucas palavras, geralmente na forma de citações.
Naquela época a vida não estava muito fácil. As sucessivas crises econômicas que o Brasil passou elevaram vertiginosamente o preço do dólar, então não dava para ter equipamentos de ponta em virtude do custo muito elevado.
Certo dia estávamos a discutir sobre a questão dos quadros de fibra de carbono e dos grupos Campagnolo Record e Shimano Dura Ace (na época a SRAM não fabricava peças para bikes speed), mas ao mesmo tempo sabíamos que para a nossa realidade de dólar ao custo de quase 3 reais e com a renda da época, que bem menor do que a de hoje em dia, era quase impossível botar as mãos nos equipamentos aqui citados.
Para não me desanimar ele disse uma das frases que eu reputo como as mais importantes que já ouvi no triathlon "Thiago o que importa são as pernas Dura Ace e não o grupo Dura Ace". Grande verdade...tem gente que tem uma super bike, mas a perna Tiagra. Daí não dá.
Click no link acima em azul e veja um artigo do Galindez sobre as bikes que ele já usou no meio Ironman de Púcon. São de várias marcas e estilos (time trail ou speed clássica).
Então para você que tem a bike mais cara do mundo, mas treina que nem um almofada ou nem treina direito nunca esqueça que o a bicicleta é parecida com o carro dos Flinstones, ou seja, o que importa é o motor que o impulsiona e não propriamente o carro que é impulsionado.
Antes que alguém me jogue uma pedra é claro que eu não estou aqui a dizer que o Fabian Cancellara pegar uma Caloi 10 de ferro toda arrombada que ele vai bater o recorde mundial, mas que no Protour são diversas as bicicletas e acho que elas são compatíveis umas com as outras.
Outro argumento ao meu favor é que praticamente todas as bikes dos 10 primeiros colocados do Ironman do Havai no ano passado eram de marcas diferentes. Isso prova que o negócio é levantar a bunda da cadeira e treinar é muito mais eficiente do que ter uma super bike sem motor para botá-la para rodar.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Da série casos verídicos 4

Ah essa tal de globalização !!!

Hoje a história dos casos verídicos tem a ver com coisas que pra mim são praticamente sinônimos, os italianos e suas bicicletas.
Quem me conhece sabe que eu estudei na Escola das Nações em Brasília. Nesta escola os pais deixam as crianças às 08:00 da manhã e só voltam para buscá-las às 4 ou 5 da tarde. De manhã as aulas são em português e à tarde em inglês. Muitos dos alunos dessa instituição de ensino são de diversas nacionalidades, a maioria filhos de diplomata.
Um dos meus melhores amigos à época chama-se Vicenzo Causa e o pai dele trabalhava na Embaixada da Itália. Por tabela e em virtude das constantes visitas acabei conhecendo a família inteira do Enzo. A irmã Donatella, o pai Georgio e também a mãe dele. Todos eram bem legais e queridos comigo e eu adorava os jantares na casa deles. Sabem como é italiano né...aquela fartura e aquela troca constante de pratos, eles não misturam comida nos pratos assim a entrada, prato principal, etc eram servidos em pratos diferentes para não misturar o gosto das comidas. Enfim...bons tempos foram aqueles.
Eu e alguns colegas, incluindo o Enzo, começamos a fazer triathlon. Me lembro como se fosse hoje as histórias que o meu amigo me contava sobre o grande ciclista italiano Gianni Bugno, que estava a ganhar todas as provas da época, e de como as bicicletas italianas eram muito boas. O pessoal do País da bota tem vários orgulhos nacionais e um deles são as Colnagos e Pinarelos da vida.
Eu me lembro do Georgio que olhava pra minha Caloi 12 toda ferrada e falava pra mim que ela era uma porcaria e que tinha que comprar uma bike boa, de preferência uma italiana.
Bom...chega a hora do tio Georgio comprar uma bike pro Enzo e não é que ele me aparece com uma Specialized !!! A marca que é o supra-sumo da expressão de alta tecnologia ciclística desenvolvida nos Estados Unidos.
Falei pra ele tio você ficou doido da cabeça ?!!! Como você vem com esse papo de que bicicleta italiana é a melhor do mundo e me compra uma bike made in USA.
Ele me deu uma resposta evasiva do tipo que ia demorar muito para chegar uma bicicleta da Itália.
Nessa época eu só tinha uns 12 ou 13 anos de idade e não entendia direito que a tal da globalização já estava chegando.
O Enzo e sua família foram embora em 1993 para a Itália (a Donatella ficou mais um tempinho, mas acabou voltando à Roma também) e nunca mais tinhamos tido notícias até que nos encontramos no ano passado no Facebook. Nem deu para gozar a cara deles quando o Brasil ganhou a Copa do Mundo da Itália em 1994, mas fica aqui o registro caso eles leiam ahahahahaha :)
Bom...o outro italiano que faz parte dessa história se chama Giacomo Giovaneli. Ele mora em Florença e é policial militar da tropa de elite italiana. É como se fosse o nosso capitão nascimento.
Ele vem sempre passar as férias e fazer o Ironman aqui em Floripa. Eu não o conhecia até que nas primeiras semanas de janeiro desse ano chega um cara com uma super bike que logo me chamou a atenção. Começamos a conversar e ele me contou toda essa história que eu acabei de contar pra vocês, sou italiano, gosto do Brasil, etc e tal.
Quando saímos para pedalar eu realmente parei para reparar na bicileta dele. Acho que nessa hora o Campionissimo italiano Fausto Coppi deu vários pulos dentro do caixão dele. O Giacomo estava usando uma bicicleta com as seguintes configurações: 1) quadro da marca Time francês, 2) rodas ZIPP 404 (o estado da arte da tecnologia de fibra de carbono totalmente desenvolvida nos Estados Unidos e 3) com um grupo zerado Shimano Dura Ace, que pra mim ainda é o melhor do mundo apesar do Campagnolo Super Record e do SRAM RED. A única coisa de italiano era o ciclista, o resto era de todas as parte do mundo menos da Itália.
Comentei com ele da história do Enzo e da dele e ele só me respondeu : "noi italiani sonno estrani".
Estranho nada meu amigo Giacomo a globalização já tinha chegado bem antes do nosso papo e vai continuar enexoravelmente. Money talks...and talks a lot !!!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Da série casos verídicos 3

Acidente na Anhangüera

Hoje tive o prazer de falar com dois amigos meus que também são surfistas do Lago Paranoá. O Filipe Pons e o Paulo Guimarães Júnior, que agora virou surfista de verdade e mora aqui em Floripa na Lagoa da Conceição (Nego Guima o surf tá fechado viu!!!). Tive também o desprazer de ter pego essa virose que aterrisou nessa Ilha da Magia há algumas semanas, que além duma enxaqueca danada hoje me deu uma dor de barriga animal.
Pois então, por falar em Brasília e dor de barriga vou contar agora a história de um acidente que ocorreu em 97 ou 98 na Via Anhangüera.
Em todas etapas do Trofeu Brasil sempre fechávamos um ônibus rumo a Santos. Tinha gente de todas as idades, mas a maioria, como eu, era a mulecada de 18 a 21 anos. Dá pra imaginar o terror que nós tocávamos naquela época !!!
Numa dessas viagens o busão que ia nos levar para Santos, me lembro bem até hoje, era uma lata velha. Se existisse um ônibus do Rabugento com certeza seria ele. Todo ferrado mesmo.
Saímos à tarde e no meio da noite o busão quebra (alguém ainda tinha alguma dúvida que aquela porcaria não iria quebrar?!). O motorista e seu ajudante, que deveria ser um mecânico já que a bagaça só estragava, foram lá para trás ver o que estava a acontecer na rebimboca da parafuseta.
Brasileiro é uma raça que morre de curiosidade por tudo, dessa forma, toda a rapaziada (ninguém sabia nada de mecânica, mas todos eram bons de palpite) foi ver o que o motora e seu companheiro estavam aprontando.
Só ficaram meia dúzia de gatos pingados dentro do ônibus, eu inclusive, quando ouço um maluco gritando "Corre todo mundo para o mato que o caminhão vai bater". Ato contínuo vejo um enxame de triatletas em desabalada carreira se jogando canavial adentro (estávamos perto da fábrica da cachaça 51 em Pirassununga). Sinceramente...foi uma cena ridícula ver aquela galera toda se atirando no mato que nem uns loucos!!!
Depois disso segui-se um solavanco forte e uma barulheira. Um motorista de caminhão retardado dormiu ao volante e levou embora a lateral do busão onde nós estávamos.
Agora que chega a hora mais engraçada dessa tragicomédia. Dentro do banheiro tinha um triatleta (obviamente não vou falar o nome dele, mas doravante denominarei o de ZP)...vamos dizer assim...exercendo um direito personalíssimo. Só que no momento da batida ele não tinha exercido totalmente suas prerrogativas.
Pois bem, depois do fato todo mundo ficou preocupado se tinha acontecido algo. Se alguém tinha sido atropelado. Então saí o ZP de dentro do banheiro proferindo seus usuais xingamentos (infelizmente impublicáveis aqui no Blog) puto da cara. Não pelo acidente, mas em virtude de não ter podido "terminar o serviço".
Sem querer saber de nada ou de ninguém ZP desce do ônibus com o papel higiênico na mão, vai até o acostamento da rodovia BEM NA FRENTE DO FAROL AINDA LIGADO DO BUSÃO !!!! arreia  a sunga e parti para o abraço, quero dizer...finalmente aliviou-se, limpou a busanfa e saiu como se nada tivesse acontecido.
PRECISO FALAR MAIS ALGUMA COISA !!!!!!!!!!!!
Só tem louco nesse mundo mesmo !!!!
Bons treinos cambada !!!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Da série casos verídicos 2

Histórias do final de semana

Essa semana foi bem agitada em todos os sentidos pra mim. Teoricamente teria que ser uma semana de compensação, ou seja, de treinos mais leves para me regenerar das últimas 3 semanas de treino intenso. Como domingo passado choveu muito, tive que pedalar o longo  de bike nessa terça-feira e ainda fazer o outro longão hoje, que foram sofridos 120 KM.
Mas o meu final de semana começou realmente na sexta-feira. Depois de alguns meses em que passei por um período de entre safra amorosa conheci una ragazza piu bella. Já tinha me interessado quando via as fotos dela, contudo depois que conversamos aí sim foi que eu a achei muito mais interessante. Marcamos no Quiosque Chopp da Brahma às 21:30. Aí começo um rol de várias bolas fora que eu dei com ela. De cara falei que tinha que voltar à meia noite, porque teria que treinar cedo no sábado. Putz...depois que foi cair a minha ficha. Nem conhecia ela pessoalmente e já disse que ia ter que ir embora logo.
Cheguei do trabalho e esperei dar umas 21:00 para tomar banho, já que está muito quente em Floripa e se eu fizesse isso antes ia chegar lá todo suado. Botei uma roupa rapidinho e saí em disparada para o conforto do ar condicionado do meu carro.
Eram 21:33 e eu estava na porta do lugar onde tínhamos combinado e nada dela chegar. Uns 10 minutos depois ela aparece e me diz "você chegou atrasado. cheguei aqui pontualmente às 21:30 e ainda por cima me deu o seu telefone errado, estou te ligando e você não atende".
Aí sim eu vi todas as minhas pretensões se esvaindo pelo ar. Na verdade eu não iria nem a pau dar o telefone errado para ela, mas talvez na hora de digitar tenha saído errado, vai saber?!
Nessa hora eu já estava meio desiludido e pensei que nem mesmo iria entrar na balada. Que ela ia dar meia volta e eu ficaria a ver navios. Como sempre, a sorte foi minha amiga. Entramos e logo começamos a conversar. Tomamos uma cervejinha e o papo começou a ficar bom. Ela é muito inteligente, mas sem ser metida a intelectual, assim as coisas começaram a fluir. Nada mal pra mim, pois eu pensei que ia ser um desastre depois de tudo que tinha acontecido.
Papo vai, papo vem, e eu como quem não quer nada a convidei para irmos à pista de dança. Ela aceitou. Pensei que o quadro trágico que tinha inicialmente se pintado fora revertido. A banda Eletric Circus, que estava a tocar naquele dia, mandou muito bem. Eu fiquei estrategicamente posicionado atrás dela e certa hora peguei na cintura dela. Não houve qualquer menção de que eu deveria tirar as minhas mãos dali. E o resto da noite vocês devem imaginar como foi, pois mais do que isso eu não vou contar. Fica só entre as partes envolvidas. É claro que nesse dia eu toquei o f@#*-se e saí às 2:30 da madruga. Voltar pra casa cedo para treinar no outro dia numa situação dessas, nem a pau né !!!
Perdi o treino matinal de sábado e fui me dedicar às atividades que os "humanos normais" (não triatletas) fazem ordinariamente do tipo cortar o cabelo, comprar a ração do cachorro e consertar uma tomada estragada.
Para compensar o treino perdido fui à academia e fiquei umas duas horas a correr e pedalar. Pronto...minha missão estava cumprida.
Mas como alegria de triatleta dura pouco acordei hoje às 6 da matina para fazer o pedal longo. Acordei, comi bastante e tomei uma Coca-Cola (sim eu faço uso dessa substância no café da manhã) para sair do estado letárgico que ocorre depois do despertar e antes da ingestão desse estimulante.
Como tinha dito anteriormente tive que concentrar o maior treino da semana passada no começo dessa semana que, teoricamente, seria uma semana para fazer um descanso ativo. Já estava muito cansado.
 Logo no começo do pedal já começou a bandidagem. Na subida do Cacupé passou um louco dando tudo e fui em sua perseguição até anular a fuga. Nessas alturas muita gente já tinha ficado para trás e o pelotão estava bem menor. Depois disso rolou uma sucessão de ataques e depois de 60 KM só eu o Roberto Lemos e o Marcos estávamos nas cabeças. Não muito depois eu sobrei também. Não ia aguentar pedalar mais 60 KM daquele jeito.
Ato contínuo uma abelha lazarenta me dá uma ferroada no dedo que ficou muito inchado. Será que a idiota da abelha não sabe que ,além dela morrer depois de dar a picada, esse troço dói pra caramba?
Para piorar ainda mais  a situação, começa a soprar um vento sul que, literalmente, quase estava a nos derrubar da bike aliado a um calor dos infernos.
Cheguei na marca dos 120 KM absolutamente esgotado, entretanto, feliz por ter completado a minha missão.
À tarde fiquei em casa me recuperando e comendo que nem um bezerro desmamado. Eu gastei exatas 3178 calorias somente durante o exercício. Imaginem o tamanho da fome que acompanha esse gasto calórico.
Pois bem, estava eu mais tarde a navegar pela internet e ao mesmo tempo  me questionava o porquê de praticar um esporte tão "sem noção" como o triathlon. Vale a pena mesmo tanto sacrifício? Foi quando comecei a conversar pelo Messanger com um grande amigo meu. Ele me perguntou o que eu tinha feito e respondi o que acabei de escrever para vocês. Como sempre, ele falou que eu sou um lunático, um doido, nas palavras dele um "duente". Mencionou que gostava mais do estilo de vida dele ,que consiste em jogar futebol no final se semana, fazer uma sauna ( não é a toa que ele é saopaulino) e depois jogar sinuca e conversar com os amigos sobre os melhores lances da rodadal.
Meus auto questinamentos subitamente desapareceram. Depois de ter que ouvir tanta besteira pensei cá com meus botões...ainda bem que eu tenho que pedalar 140 KM no domingo que vem.
Valeu pessoal uma ótima semana para todos !!!

EM TEMPO

A pedido da co-autora do crime, melhor dizendo, da senhorita que gentilmente me deu o prazer de sua companhia naquela noite esclareço aqui que para os engraçadinhos que tem uma aguçada capacidade onírico-imaginativa ficamos até as 02:00 da manhã no Chopp da Brahma dançando e nos divertindo. Ato contínuo rumamos separadamente para nossos distintos carros e voltamos without any stops para nossas respectivas casas (que são em bairros bem distantes uma da outra).
Está aí a nota de desagravo mantenedora de reputações ilibadas.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Da série casos verídicos

Aproveitando o assunto da postagem anterior (Use capacete) hoje vou contar para vocês um caso que aconteceu comigo e com um outro atleta da Ironmind chamado Andrei Candemil.
A despeito de ser uma pessoa calma e de fala mansa eu nunca vi na vida um cara mais desleixado com equipamento que o Andrei.
Uma boa analogia para que vocês entendam como é a bike dele é a seguinte: sabe o carro do Rabugento, pois é a bike dele seria a bike do Rabugento. A coitada da Cervelo Dual dele só era reconhecível logo após a sua compra. Quem olha aquela lata velha hoje em dia nem imagina que é uma Cervelo. O cuidado que ele tinha no manuseio da bicicleta também é digno de menção. Certo dia eu estava a voltar pra casa depois do treino de sábado no Taiko e vejo uma Cervelo alojada dentro do carro, era um Vectra do modelo antigo, toda torta e desalinhada e, pasmem, com o clip inteiramente do lado de fora da janela do carona. Como ele conseguiu fazer aquilo não me perguntem. Deve ser porquê ele é engenheiro.
Pois bem, o cuidado que ele tinha com a bike tinha também com os equipamentos triatléticos em geral.
Num belo dia notei um baita rachado no capacete do Andrei. Falei na hora pra ele. Tá doido cara, se você cair e bater a cabeça no chão já era.
Ele não me deu muita atenção e continuou a usar aquele capacete quebrado.
Coincidiu de eu ter viajado para Nova York alguns dias depois e lá visitei a RACYCLES ( já fiz um posta aqui no blog sobre a visita) e comprei dois capaocetes Bell, um pra mim e outro pra ele. Trouxe aquelas tranqueiras dentro do avião...enfim capacete é uma coisa muito ruim de levar. Na mala ocupa muito espaço e pode quebrar, na mão também é ruim de carregar.
Entreguei o capacete para o Andrei e disse pra ele. Usa essa porcaria e joga aquele pinico que você põe na cabeça fora e não precisa nem me pagar nada (ele insistiu tanto em me pagar que acabou pagando alguns meses do meu treinamento pro Roberto Lemos, já que eu não quis aceitar o dinheiro).
Algumas semanas depois nos encontramos no Taiko para o clássico treino de transição no sábado.
Qual não foi a minha surpresa quando o Andrei me deu um abraço forte. Pensei com meu botões. Será que ele virou boiola? Será que ele ficou doido de vez?
Nada disso. Naquela semana ele tinha sido atropelado e tinha sido salvo pelo capacete.
Até hoje eu sinto o olhar de gratidão que ele me dá quando me encontra.
Sem falsa modéstia fiquei muito feliz pela atitude que tomei. Poderia ser que ele não estivesse mais entre nós ou ter tido uma lesão que o levasse a viver o resto da vida na cadeira de rodas.
Atualmente o Andrei está num período sabático, mas tenho certeza que em breve voltará a abrilhantar o nosso pelotão.
É isso aí galera abração a todos e bom treinos !!!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Use capacete cambada !!!

Adivinhem que parte do corpo esse idiota vai bater no chão.
Com certeza a parte que deveria estar protegida por um belo capacete que ele não está usando.